sábado, 1 de setembro de 2007

BRASIL X ARGENTINA:DUELO ACIRRADO TAMBÉM NA MÚSICA

Tive a idéia de registrar isso, a partir da audição de alguns tangos, dia desses.
Fascinante a forma como se desenvolvem as canções, no estilo musical da coisa. Conta muito do intérprete da música, passar a mensagem desejada, mas de qualquer forma, o tango já entrou pro hall dos meus estilos musicais favoritos.

Interessado pelo estilo, fiz uma rala pesquisa na Internet sobre suas origens, e, analisando isso e outros itens, descobri várias coisas em comum com o chorinho, e diferenças que complementam os dois estilos.

De semelhança, vê-se logo a parte social; ambos surgiram derivando ritmos europeus, em especial a polca... surgiram como ritmos da “depravados”, da “ralé”...tinham um tanto de sensualidade, demais para a época (final do século XIX, para os dois). O tango, inclusive era muito difundido nos cabarés da região do Rio do Prata (Buenos Aires e Montevidéu). Já o Choro como um todo, incorporava um estilo sensual de dança, o maxixe (chamado por alguns, de “tango brasileiro”, tendo em vista a semelhança de raízes, etc).

Há uma semelhança mais detalhada: Títulos. Há um choro do consagrado Jacob do Bandolim, chamado “Nostalgia”, muito bonito. Em contrapartida, há um tango, composto por Juan Carlos Cobián (música) e Enrique Cadícamo (letra), chamado “Nostalgias”. Aconselho baixarem e ouvirem as duas (pra quem não for muito fã de música cantada, como é meu caso, há também a versão instrumental do tango).

Diferenças: Instrumentos; apesar do violão e da flauta, comuns aos dois nas origens (e que permanecem fundamentalmente mais no Choro, hoje em dia), temos a presença, desde o início do violino no tango; no choro, tem-se o pandeiro. Hoje uma formação básica de tango tem: Um piano, responsável por harmonia e ritmo;o violino, responsável pela maioria dos solos; e o bandoneón, espécie de acordeon, que faz respostas aos solos do violino, como contracantos, e faz também alguns solos principais (vide “Adios Noniño”, do grande Astor Piazzolla, o qual tocava bandoneón). Podemos encontrar também, um baixo acústico, “encorpando” mais a música.

Pelo choro, a formação clássica é de flauta, violão e pandeiro. Essa formação ocorre desde os seus primórdios, mas também fora acompanhada de uma formação de fanfarras (com instrumentos como trompete, trombone, bombardino). Hoje em dia, o mais comum num regional (nome dado aos grupos executores de choro) é: Um instrumento solista (pode ser de sopro, como clarinete ou flauta, bem como de cordas, como bandolim e cavaquinho; um cavaquinho auxiliando na montagem da harmonia, juntamente com dois violões: um de 6 cordas, que é a “espinha dorsal” do grupo, e um de 7 cordas, que faz contracantos, respostas ao solo principal, em suas cordas mais graves – a chamada “baixaria”; finalmente, a “cozinha”: a percussão do grupo. Composta essencialmente por pandeiro, e em geral, tendo um surdo, ou reco-reco para enriquecer a parte rítmica).
Tangos, em geral, têm letra; romântica, com um ar de tristeza. Já os Choros, apesar do nome ter sido dado devido o fato de se tocarem as polcas européias de forma mais “chorosa”, são essencialmente instrumentais. A maioria dos Choros letrados, tiveram sua letra acrescentada bem depois de sua composição musical em si. Muitos são até “alegres”, com ritmo contagiante... outros tristes, mas na minha opinião, nada tão triste e sentimental quanto a musicalidade e as próprias letras dos Tangos... que por sinal, são muito apreciados pela Jô, e suas raízes argentinas, não é Jô? Até a próxima...
Amaral
Troca de conhecimentos

Um comentário:

Bruno Frank disse...

Não compreendo muito de Tango,mas no trabalho que realizei sobre Maxixe, percebi que fez o mesmo racíocinio que o meu quanto as origens sociais.É muito legal isso.Pra muitos o tango, é apenas uma dança, eu mesmo demorei muito a ligar a música à dança.Será que eles fazem o mesmo com o samba?
Bem, de qualquer forma.Excelente texto.=)